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Rio Brilhante - MS, segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vilas olímpicas do Rio sofrem com tiros, atrasos e lixo

Publicado em: 06/08/2016 às 08h20

- UOL

Reprodução

Na favela da Maré, os tiroteios marcados para o final da tarde determinam a agenda das pessoas como as chuvas de verão: você acerta os compromissos antes ou depois dos tiros. Se não, tem que cancelar. É o que está acontecendo nos últimos dias na Vila Olímpica da comunidade, que é palco de confronto entre facções diferentes. Muitos alunos e esportistas não conseguem chegar lá em determinados horários.

 

Essa mistura de esporte e violência chegou ao ponto máximo quando traficantes de Honório Gurgel, zona norte da cidade, expulsaram os usuários da piscina da Vila para promover uma festa regada a álcool em 2014. Eles fizeram até uma foto simulando um nado sincronizado com fuzis e postaram a imagem nas redes sociais.

 

Depois de ser anunciada cidade-sede, a prefeitura do Rio batizou de “olímpico” 22 centros esportivos, a maioria deles em áreas carentes. A moda pegou também nos municípios da Baixada Fluminense, mas algumas vilas são olímpicas só no nome. Por lá, os núcleos de Nilópolis e Belford Roxo estão com reformas paradas desde 2015, com pistas e quadras com entulho e sem equipamentos básicos como traves e tabelas. Já os centros de Mesquita e São João do Meriti estão com a manutenção em dia.

 

No município do Rio também há muito contraste entre as vilas. A do Complexo do Alemão fechou no mês passado, devido a falta de pagamento dos seus funcionários, todos terceirizados - eles não recebiam desde maio. Inaugurado em 2002, o local nunca sofreu reforma e tem quadra esburacada. O nadador norte-americano Michael Phelps chegou a nadar lá em 2012. Em 2015, as águas estavam esverdeadas pela falta de manutenção. Após duas semanas fechado em julho, o centro reabriu com os salários normalizados.

 

Atraso de salário e suspensão de atividades também foram registrados nas Vilas Olímpicas de Padre Miguel, Penha, Gamboa e Deodoro. Lixo acumulado na entrada das vilas também são rotina em Honório Gurgel e Padre Miguel. Já o centro Miécimo da Silva, na zona oeste, chegou a receber competições oficiais dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e teve a pista homologada pela IAAF (sigla em inglês para Federação Internacional de Atletismo). Agora, a pista está cheia de buracos.

 

No outro extremo estão as Vilas Olímpicas adotadas pela multinacional norte-americana Nike, que assinou no final de 2015 um convênio com a prefeitura para recondicionar e equipar as vilas. As únicas prontas são as dos bairros de Encantado e Caju. A de Acari deve ser reentregue após as Olimpíadas.

 

Outro exemplo positivo é a Vila Olímpica pioneira, a da Mangueira, erguida em 1987. Hoje em dia, ela tem patrocínio da cervejaria Ambev e fez uma parceria com a delegação da Nova Zelândia para encontro de seus atletas com as crianças que treinam por lá.

 

A prefeitura carioca tem um orçamento de R$ 70 milhões ao ano para manter essas 22 vilas olímpicas. É 10% do que gastou nas arenas olímpicas que estarão no noticiário nos próximos dias. Esse dinheiro é destinado para Organizações Sociais, que gerenciam os centros e contratam funcionários terceirizados.

 

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer afirmou repensar o formato de administração das vilas e prometeu pressionar mais essas entidades gestoras para que  o serviço não sofra interrupções. O que é mais difícil mudar é o cotidiano precário e violento que cerca a maioria das Vilas Olímpicas.