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Rio Brilhante - MS, sexta-feira, 23 de junho de 2017

Prisão de irmã e do primo do senador Aécio Neves completa 1 mês

Publicado em: 19/06/2017 às 07h23


A Polícia Federal prendeu, há exato um mês, Andréa Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), Frederico Pacheco, primo do parlamentar, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Nestes 31 dias, a rotina dos três, que já tiveram cargos públicos em Minas Gerais, mudou e agora eles passam os dias em celas pequenas, com quatro refeições diárias e banhos de sol.

Os três foram presos na Operação Patmos, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal no dia 18 de maio. Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão e Paraná.

Segundo a Polícia Federal, a investigação partiu da delação de executivos do grupo J&F e da JBS, pertencente ao conglomerado. Nela, o senador afastado Aécio Neves aparece pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista para pagar a defesa dele na Lava Jato.

Andrea Neves

Andrea foi presa em casa, no condomínio Retiro das Pedras, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e levada no mesmo dia para o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, na capital mineira.

Ela é suspeita de corrupção por ter pedido, segundo a investigação, R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da JBS. Andrea também negociou a venda de um apartamento no Rio de Janeiro por R$ 40 milhões ao empresário. O dinheiro seria repassado a Aécio.

Nestes 30 dias, a irmã do senador Aécio recebeu a visita somente do marido, Luis Márcio Pereira, e dos advogados. A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap) e pelo advogado Marcelo Leonardo. Andrea tem uma filha que mora fora do país, mas não há registro que a jovem tenha visitado a mãe neste mês.

De acordo com a secretaria, Andrea tem participado da rotina da penitenciária, mas não pode trabalhar, já que o benefício é concedido somente a presas sentenciadas e a jornalista cumpre prisão preventiva – antes do julgamento. Apesar disto, ela tem participado de atividades psicoterapêuticas e cultos religiosos.

O advogado Marcelo Leonardo disse que espera o julgamento de um recurso pedindo a liberdade de sua cliente no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação está marcada para a próxima terça-feira (20). Na última terça-feira (13), o Supremo manteve a prisão da irmã do senador por entender que ela ainda apresenta risco de cometimento de novos crimes.

Segundo o defensor, Andrea não pode ser responsabilizada por atos atribuídos a terceiros e deveria responder às acusações em liberdade.

"Ela é primária, sem antecedentes criminais, tem 58 anos de idade e nunca se envolveu em fato criminoso e está sendo acusada de uma isolada conduta. Não há necessidade de responder presa", disse o advogado.

Frederico Pacheco de Medeiros

O primo do senador afastado foi preso em casa, no condomínio Morro do Chapéu, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e foi levado, no mesmo dia, para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, também na Grande BH, onde está custodiado em um pavilhão para presos com curso superior.

Ele é apontado pela Polícia Federal como a pessoa que pegou os R$ 2 milhões em São Paulo e entregou parte deles em malas a Mendherson Souza Lima, ex-assessor de Zeze Perrella.

Nestes 30 dias, Frederico recebeu visitas da mulher, de um amigo e de dois irmãos, além de advogados, segundo a Seap. Ele segue a rotina da penitenciária e não participa de nenhuma atividade.

O advogado Ricardo Ferreira de Mello disse que aguarda também o julgamento de recurso – chamado agravo regimental – no STF na próxima terça-feira (20). O defensor não respondeu se o cliente tem intenção ou não de fechar acordo de colaboração premiada.

Mendherson Souza Lima

O ex-assessor e ex-cunhado do senador Zeze Perrella (PMDB-MG) foi preso em casa, em Belo Horizonte, e levado no mesmo dia para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Assim como Frederico, está custodiado em pavilhão para presos com curso superior.

Souza Lima foi exonerado do cargo de assessor parlamentar de Perrella no Senado no dia seguinte à sua prisão.

De acordo com a investigação, Mendherson recebeu parte dos R$ 2 milhões da JBS que seriam para Aécio e transportou de São Paulo a Belo Horizonte.

De acordo com o advogado Antônio Velloso Neto, que defende Souza Lima, seu cliente está abatido. Nestes primeiros 30 dias de prisão, ele teve um problema de pressão arterial e foi medicado no presídio mesmo.

Mendherson tem recebido visita da namorada e dos dois filhos do primeiro casamento, sobrinhos de Perrella, além dos advogados. Segundo o defensor, seu cliente tem recebido "tratamento exemplar" e tem apresentado "comportamento de bom modo". Segundo a Seap, Mendherson não participa de nenhuma atividade no presídio.

Velloso Neto afirmou que a defesa não considera possibilidade de fechar acordo de colaboração premiada com a Justiça porque seu cliente não tem nada para contar além da viagem a São Paulo, citada no processo. O advogado ainda disse que Souza Lima não é do círculo de amizades nem de Aécio nem de Andrea.

A defesa, assim como a dos outros dois investigados, espera o julgamento de recurso de pedido de liberdade da próxima terça-feira (20) no STF.

 

Por: G1