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Rio Brilhante - MS, sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Pai que matou bebê afogado vai para ala dos estupradores na Máxima

Após o crime, por volta das 16h30 de quinta-feira (19), Evaldo chegou a ligar para a ex-mulher dizendo que Miguel havia morrido

Publicado em: 23/09/2019 às 08h24

Campo Grande News

Evaldo matou o filho afogado numa bacia com água (Foto: reprodução/Facebook)

Preso desde quinta-feira (19), em Campo Grande, quando confessou que afogou o filho Miguel, de dois anos, Evaldo Christyan Dias Zenteno, de 21 anos, está recebendo tratamento no sistema penal parecido com o que é dado aos estupradores, normalmente rejeitados pelos detentos e em risco constante de violência. Para evitar que seja alvo dos outros presos, Evaldo ficará em isolamento.

Identificado como estudante no auto de prisão, o rapaz está na penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, onde existe ala específica para os presos por crimes sexuais, apelidada de 'Jackolândia'. Existe, porém, o receio das autoridades de que mesmo nesta ala ele não seja aceito, dado tipo de crime que cometeu, contra um bebê indefeso, como apurou a reportagem. A Máxima é dominada pela facção criminosa PCC (Primeiro COmando da Capital), que tem em seu 'estatuto' artigo contra os criminosos sexuais.

Normalmente, todo interno tem um período de adaptação ao sistema, em torno de 30 dias. No caso de Evaldo, ainda não se sabe exatamente como vai ser feita a chamada 'inclusão' dele junto à massa carcerária. Não há informação se ele divide a cela com outros presos.

Crime bárbaro - Evaldo foi preso na quinta-feira por policiais do Batalhão de Choque, depois de levar o filho, já morto, para a Santa Casa de Campo Grande, e dar versões conflitantes para o que havia acontecido com a criança. Os funcionários do hospital desconfiaram e a polícia foi acionada, como é praxe em casos que gerem suspeitas de crime.

Versões mentirosas - Na sexta-feira (20), foi decretada a prisião preventiva dele e, na sequência, houve a transferência para a penitenciária de Segurança Máxima. No auto de prisão, as testemunhas revelaram mais detalhes do assassinato que provocou comoção, incluindo uma série de mentiras vindas do jovem preso.

Segundo o documento, após afogar o filho numa bacia com água, Evaldo ligou para a ex-mulher, também de 21 anos, dizendo que a criança havia morrido. A ligação foi às 16h30 da última quinta-feira (19).  Evaldo estava com Miguel desde terça-feira (17) em Campo Grande. Já a ex residia com um irmão em Aquidauana. Por volta das 6h do dia do crime, a mãe ligou para saber do filho.

Evaldo, então, disse que Miguel estava bem e logo iria levá-lo de volta. Por volta das 14h,  mandou uma foto do filho, aparentemente bem, sentado numa cadeira. Às 16h, o autor ligou para a ex-esposa e chorando inventou que havia sido assaltado. Contou ainda que os ladrões sequestraram Miguel e o jogaram de um carro. Depois disse que a criança tinha morrido. Foi nesse momento que, desesperada, a jovem parou de conversar com o ex e passou o celular para o irmão dela, conforme depoimentos da jovem à polícia. 

Segundo ela na semana passada, Miguel estava sob os cuidados do pai em Aquidauana, quando o ex ligou contando que a criança havia caído da cama e ficado inconsciente. O garoto foi levado ao médico pela mãe e no mesmo dia recebeu alta.

Separação - Há dois meses separada do autor, a jovem relatou à polícia que o relacionamento acabou em razão de muitas brigas. Ela afirmou que conviveu com o assassino do filho por dois anos e, apesar das discussões, não havia agressão física. Segundo ela, a relação de Evaldo com o filho era saudável. Ele não tinha histórico de agressão à criança. Porém, o rapaz não se conformava com a separação e tentou reatar o relacionamento por várias vezes.

No mês passado, Evaldo, segundo relatos da jovem, pegou o telefone celular da irmã dele, e se passando por ela, mandou mensagem dizendo que o ex-marido havia sofrido acidente e estava internado na Santa Casa. Preocupada, a mulher viajou de Aquidauana, para Campo Grande. Depois, acabou descobrindo que era mentira e o que o ex queria apenas chamar sua atenção.

Depois que cometeu o crime, Evaldo disse para um dos policiais civis que havia acabado com sua vida e matado o filho por causa de uma mulher. A bacia e uma toalha - usada para secar a criança depois de morta - foram apreendidas.  

Crime - Após afogar o filho na bacia, Evaldo levou a criança para a Santa Casa num veículo VW Fox vermelho. No local, ele contou que foi vítima de assalto e que os bandidos haviam sequestrado a criança e depois jogado no Rio Anhanduí, na Avenida Ernesto Geisel. Funcionários do hospital desconfiaram da versão e acionaram a polícia. Ao Batalhão de Choque da Polícia Militar, Evaldo mudou a versão, disse que havia sido traído pela ex-mulher e queria que a ver sofrer. 

Segundo Evaldo, contou sobre a traição para um amigo e foi aconselhado a matar o filho para se vingar da ex. O suspeito disse que não tinha coragem, mas o rapaz afirmou que ajudaria. Ele teria mandado uma terceira pessoa buscar Evaldo e a criança na casa onde o suspeito morava, no bairro Aero Rancho. Eles seguiram para uma casa no Nhanhá, onde os dois teriam matado a criança afogada. Depois, o rapaz mudou novamente a versão do crime e confessou que agiu sozinho. A reportagem tentou falar com a mãe do bebê e a irmã de Evaldo, mas as duas preferiram não falar da tragédia familiar. 

Miguel Henrique iria completar três  no dia 2 de outubro.