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Rio Brilhante - MS, quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Ministério deixa crianças sem vacina, mas Mandetta pede para punir pais por negligência

Publicado em: 09/10/2019 às 07h36

O Jacaré

O Ministério da Saúde deixou os bebês sem a vacina pentavalente, incluída no Programa Nacional de Imunizações desde 2012. No entanto, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta quer punir os pais por “negligência” e “violência contra a criança” por não vacinarem os filhos.

A polêmica declaração do ministro foi feita nesta segunda-feira (7) em Campo Grande ao lançar a Campanha Nacional de Vacinação contra o sarampo, doença quase erradicada que voltou com tudo neste ano. O objetivo é imunizar 175 mil crianças de seis meses a cinco anos no Estado. O Dia D contra o Sarampo, que já teve dois casos confirmados em Mato Grosso do Sul, será no dia 19 deste mês.

Ao defender a vacinação, o ministro defendeu que o Conselho Tutelar fiscalize a caderneta de vacinação das crianças e denunciem os pais por negligência ou violência contra a criança. “Vacina é direito da criança e ela não tem condições de ir ao posto ou solicitar a vacina”, defendeu o ministro, conforme registro do Campo Grande News. (veja aqui)

“A corrente da ignorância atravessa as mídias sociais, é tema pacificado pelo Judiciário, os pais que não vacinarem vão responder penalmente pelo dano”, alertou o ministro, ainda conforme registro feito pelo site.

Contudo, o que fazer quando o responsável pela falta da vacina é o ministério, comandado por Mandetta desde o dia 1º de janeiro deste ano. O órgão deixou de enviar vacina pentavalente, fornecida gratuitamente pela rede pública há sete anos.

Em Campo Grande, conforme a Secretaria Municipal de Saúde, o estoque desta vacina está zerado há dois meses. Para cumprir o calendário de vacinação, pais são obrigados a pagar em torno de R$ 300 pela imunização dos filhos. E quem não tiver condições de destinar um terço do salário mínimo pela dose?

De acordo com o Ministério da Saúde, a pentavalente é a combinação de vacinas em uma. As crianças devem tomar três doses: aos dois, aos quatro e aos seis meses de vida.

A vacina garante a proteção contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria haemmophilus influenza tipo B, responsável por infecções no nariz, meninge e garganta.

O pediatra Alberto Jorge Costa destaca que a vacina pentavalente é muito importante para proteger a criança de doenças importantes. “A coqueluche pode levar ao óbito”, alertou. Além disso, ele recomenda porque evita que o bebê contraia infecções graves.

Ciente do problema, o ministro da Saúde prevê que os estoques só devem ser normalizados em dezembro deste ano. O problema ocorreu após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reprovar um lote vindo da Índia.

De acordo com Mandetta, técnicos analisam se houve problema na mudança da rota do transporte ou no laboratório responsável pela produção das doses.

Para quem não tem condições de pagar pela imunização, a secretaria promete avisar assim que houve disponibilização das doses. “A orientação é aguardar e ir atualizando as demais do calendário. Assim que as doses estiverem disponíveis às unidades entrarão em contato”, informou.

Ao criticar a negligência dos pais, o ministro quis combater as notícias falsas, espalhadas nas redes sociais, de que a vacina pode causar mais males do que bem. O problema é que, no momento, falta autoridade moral ao ministro para falar de negligência, já que crianças estão deixando de ser imunizadas por falha da sua pasta.