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Rio Brilhante - MS, sábado, 22 de fevereiro de 2020

São Bento fecha quase todas as farmácias e fica sem fôlego para escapar da falência

Publicado em: 09/02/2020 às 14h48

O Jacaré

Apesar da dívida continuar se multiplicando todo dia, a rede São Bento fechou praticamente todas as farmácias na Capital e fica sem fôlego financeiro para escapar da falência, que será analisada pela assembleia geral dos credores no final de março deste ano. Das 91 lojas, apenas três continuam abertas.

Maior rede de drogarias de Mato Grosso do Sul, fundada há 72 anos pelo Adib Assef Buainain, afundou ainda mais desde a recuperação judicial, iniciada há cinco anos, em 8 de janeiro de 2015. Na época, a dívida era de R$ 73,9 milhões, superior ao patrimônio de R$ 60 milhões.

Apenas a dívida do grupo Buainain em tributos cresceu 681% no período, de R$ 4 milhões para R$ 31,2 milhões. Conforme o relatório anexado ao processo pela empresa, que promoveu uma onda de demissões no final do ano passado e início deste ano, só em rescisões trabalhistas, o débito somava R$ 2,125 milhões em dezembro.

A cada dia, novos pedidos de habilitação de crédito de trabalhadores demitidos que já ganharam ações na Justiça do Trabalho. Até dezembro, conforme o relatório apresentado à Vara de Falência e Recuperação Judicial, 23 farmácias estavam funcionando em Campo Grande. Na ocasião, o Administrador Judicial questionou a denúncia da falta de produtos, mas a companhia prometeu resolver o problema.

“De fato, houve inúmeros atrasos por parte das recuperandas, as quais passaram por grandes dificuldades, principalmente ante a impossibilidade de planejamento em longo prazo e a excessiva morosidade do Plano Recuperacional em período anterior à sua aprovação, bem como a sua a homologação do Plano Recuperacional, o qual se encontra pendente de decisão no Superior Tribunal de Justiça”, justificou a São Bento, sobre a perda de fôlego.

No entanto, a situação se complicou e a rede só não desapareceu porque manteve três farmácias abertas na Capital. As demais foram fechadas, inclusive a loja número um, aberta por Adib Buainain em 1948 na esquina das ruas 14 de Julho e Marechal Cândido Mariano Rondon, no Centro de Campo Grande.

A sede da distribuidora de medicamentos do grupo se transformou em igreja evangélica. A empresa 6F alugou o espaço para o Ministério Atos de Justiça, que passou a realizar os cultos de quarta a domingo no local. Outros prédios estão para locação ou deram espaço para lojas de utilidades.

O administrador judicial Fernando Abrahão, da Real Brasil, admite que a situação da empresa ficou ainda mais delicada. “Sem receita, não tem como se recuperar”, lamentou. “A São Bento não está pagando dívidas”, informou, sobre a situação do débito milionário desde o início da recuperação.

A administradora judicial vem organizando a convocação a assembleia dos credores, que deverá ocorrer no final de março. Na reunião, eles deverão instalar o Comitê de Credores e analisar o pedido de falência do grupo. A São Bento conta com aproximadamente 350 credores.

Na manifestação encaminhada à Justiça em dezembro, o grupo ainda mantinha a esperança de resgatar a São Bento. “Espera-se, de fato, que por meio de acordos judiciais, seja oportunizada a quitação e a extinção dos referidos débitos no mais tardar, possibilitando a plena regularização trabalhistas das demandantes”, afirmou o advogado Carlos Alberto Almeida de Oliveira Filho.

Somente após a assembleia dos credores, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva deverá analisar o pedido de falência do grupo, que poderia levar ao fechamento do restante das farmácias e a nomeação de gestor da massa falida.