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Rio Brilhante - MS, sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Após ataques de falso médico, hospitais adotam medidas para orientar pacientes sobre estelionato

Publicado em: 14/05/2016 às 09h28

- dOURADOSNEWS

No Hospital da Vida em Dourados, pacientes foram contatados por estelionatários - Foto: Gizele Almeida

Após investidas de estelionatários tentando aplicar o golpe do "falso médico" em pacientes de Dourados, os hospitais tanto públicos quanto particulares estão adotando medidas mais enérgicas para orientá-los sobre a ação dos criminosos. A intenção é resguardar os usuários que podem ser alvos de crimes e as próprias instituições juridicamente caso alguém caia no golpe.

 

As medidas adotadas vão desde a colocação de banners, cartazes até comunicados direto aos pacientes e familiares. Estes são todos relacionados à forma de cobrança dos hospitais e sobre procedimentos junto aos pacientes sobre seus dados e estado de saúde.

 

O HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), por exemplo, fez um alerta no mês de abril, quando familiares de vários pacientes estavam recebendo ligações de pessoa se identificando como médico da instituição e cobrando valores para procedimentos urgentes. Além disso, outras estratégias foram adotadas.

 

O Hospital providenciou a instalação de "banners nas recepções de internação e ambulatórios, informando a gratuidade de todos os serviços prestados na unidade, cujo atendimento é 100% SUS [Sistema Único de Saúde]", informou a assessoria. Estes continuam implantados na instituição como medida permanente.

 

As equipes de telefonistas e recepcionistas também tiveram a orientação reforçada para que não repassem "informações sobre pacientes por telefone e não passem ligações externas para setores restritos do hospital, como as UTIs, por exemplo". Já os usuários são orientados a procurar a Ouvidoria em caso de dúvidas a respeito de procedimentos e solicitações que consideram fora da normalidade.

 

O Hospital da Vida passou também pelo mesmo impasse este ano. No mês de fevereiro, a direção da unidade registrou um boletim de ocorrência, relatando que vários familiares de seus pacientes estavam recebendo ligações de um homem se passando por médico e pedindo dinheiro para realização de procedimentos.

 

De acordo com a gerente de Integração do Hospital da Vida, Andreia Ferreira Vieira, além do boletim, à época como medida emergencial foi feito um comunicado verbal aos pacientes e familiares para que ficassem atentos sobre o caso. Já como medida permanente de ação, foram fixados comunicados no Hospital em que é alertado que este é 100% SUS e que não há cobrança pelos procedimentos.

 

"Os profissionais que trabalham aqui, sejam médicos ou outros, não podem cobrar dos pacientes por quaisquer dos procedimentos, seja pessoalmente ou via telefone, porque o Hospital é 100% SUS. Então se o paciente receber qualquer tipo de ligação como essa é crime e ele deve denunciar", explica Andreia.

 

No Hospital Evangélico, que atende pacientes do SUS, convênios de saúde e rede particular, também foram adotadas estratégias para evitar que os pacientes e familiares sejam alvos de estelionatários. Segundo Ana Maria Zarbinati Esteves, gerente de recepção, há uma orientação verbal sempre que é chegado novo usuário.

 

Ela explica que a equipe informa aos familiares que qualquer tipo de cobrança ou transação financeira é feita pessoalmente e se os familiares receberem ligações nesse sentido, devem se dirigir à tesouraria para confirmar a informação. Além disso, também orienta a não passar dados pessoais ou enviar qualquer tipo de documento solicitado via telefone, apenas entregar diretamente aos funcionários.

 

"Se existe qualquer informação que envolve a área hospitalar nós precisamos ficar atentos, porque se aconteceu com outros hospitais, nós não estamos imunes. Então, adotamos isso para nos resguardar e fizemos esses critérios de rotina", disse Ana. Ela ainda lembra que as telefonistas ainda foram alertadas para fazer uma triagem ainda mais rigorosa nas ligações que chegam ao hospital.

 

No Hospital Santa Rita, os pacientes recebem um comunicado para que assinem quando há internação para que estejam cientes da questão. No documento é informado sobre essa modalidade de estelionato em pacientes que vem ocorrendo em hospitais brasileiros há alguns meses, explicando como essa funciona e como os bandidos se aproveitam do momento de fragilidade para obter vantagens financeiras ilícitas sobre a família.

 

O comunicado ressalta ainda que as informações sobre estado de saúde dos pacientes não é repassada via telefone. Solicita ainda que os pacientes fiquem atentos ao atenderem ligações no quarto quando estão internados e só repassem informações se tiverem certeza de que se trata de conhecido.

 

O Santa Rita ainda informa que "não autoriza e não se responsabiliza por contatos de terceiros através de ligações telefônicas" e pede que caso isso ocorra, os pacientes denunciem à polícia. Também informou que acertos de valores são feitos direto com o médico ou com a tesouraria do hospital, e que não se responsabiliza por qualquer ressarcimento de valores pagos a terceiros.

 

Denúncias

 

Apesar de hospitais relatarem o ocorrido e emitirem alertas de tentativas de estelionato, o delegado regional de Dourados, Lupérsio Degerone, pontua que poucos casos chegam à Polícia Civil. Segundo ele, este ano houve apenas um caso como este em que a vítima chegou a transferir valores em dinheiro para um estelionatário, acreditando se tratar de um funcionário de hospital.

 

Ele lembra que apesar disso as orientações a pacientes são importantes e ajudam a evitar este tipo de crime. No entanto pontua também que o mais importante é as instituições orientarem seu corpo de funcionários. "Muitas vezes o estelionatário consegue a informação através de um funcionário que de certa forma distraidamente ou sendo levado na conversa do interlocutor do outro lado da linha, repassa informações como o nome do paciente ou outra", relata Degerone.

 

O delegado também alerta que pacientes de hospitais particulares estão mais sujeitos a este tipo de crime, por haver transação financeira direta envolvida. "Como no caso do serviço público o paciente não tem que pagar nada, o estelionatário já sabe que não adianta ligar porque não vai ter resultado e o paciente pode perceber mais facilmente que é um criminoso", lembra.

 

A orientação da Polícia Civil para as pessoas que receberem este tipo de ligação pedindo dados pessoais, documentos ou falando em questões financeiras se passando por funcionários de hospitais ou médicos, devem primeiramente procurar o hospital pessoalmente que checar se é verdade. Se o caso foi consumado, ou seja, se a pessoa já pagou e depois percebeu se tratar de um crime, deve denunciar a polícia e o caso será registrado como estelionato e investigado.

 

No caso da vítima perceber que se trata de um crime e este não for consumado, também deve procurar a delegacia e registrar o caso de tentativa de estelionato. Isso porque mesmo que a polícia não consiga encontrar o estelionatário, as informações servem de base de dados, contribuindo para relatar o modus operante do criminoso, ajudando dessa forma a polícia quando se deparar com caso semelhante deste crime.